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quinta-feira, 5 de junho de 2014

O IMPACTO DA NEUROTERAPIA NAS PERTURBAÇÕES DE DESENVOLVIMENTO | TESTEMUNHOS

O CÉREBRO DA QUESTÃO



“Um dia entrei no consultório do médico XPTO e ele, de imediato, olhou para o meu filho e declarou“AUTISMO”!”
(como se o autismo fosse uma tatuagem na testa)
Já ouvi esta história tantas vezes que lhe perdi a conta!
Já ouvi esta história tantas vezes que vejo claramente o cenário, com direito a rasgo no céu, luz amarela intensa e anjos a tocar clarins.
Ora eu, que hipócrita! Então logo eu que vejo autismo “em tudo o que mexe”?  Um miúdo mais tímido no parque e eu vejo logo problemas de socialização; um miúdo mais sensível ao som, na minha sala de aula, e eu antecipo problemas sensoriais; um miúdo brilhante … e eu penso: AUTISMO! Mas, vale o que vale, ou seja, vale tanto como hoje chegar ao espelho e ver aquele pneu que me chateia e pensar: Obesidade Mórbida! … Fará sentido? Não faz! Não tenho qualquer competência para fazer um diagnóstico … muito menos “a olho nu”!
Um dia tropecei num TEDtalk e conheci a Dra. Aditi Shankardass. Fiquei fã quando a ouvi a fazer esta analogia: “Algum médico ousa diagnosticar problemas cardíacos sem olhar primeiro para o coração? Sem fazer um electrocardiograma, uma prova de esforço?” Eu acrescento: Algum médico diagnostica uma deficiência de ferro, uma anemia, sem uma análise ao sangue? Uma infeção urinária sem recorrer a uma análise à urina? Enurese sem uma ecografia à bexiga? Então, porque raio é que se continua a diagnosticar perturbações de desenvolvimento sem olhar para o cérebro?
(E pior … a medicar!!)
Feliz o dia em que o meu caminho se cruzou com a Neuroterapia! Em particular no Instituto Português de Neuroterapia que utiliza como base da intervenção um electroencefalograma quantitativo, ou seja, olham para o cérebro e obtêm um mapa detalhado da forma como está a funcionar e, posteriormente, comparam esse mapa com uma base de dados de mapas cerebrais … criando assim, de forma fundamentada, um protocolo de intervenção.
As neurociências evoluíram tanto nos últimos anos que é possível perceber com o EEG, de acordo com as zonas com maior ativação que tipo de perturbação se trata. Por exemplo, a hiperatividade, tão discutida atualmente é uma hiperativação da zona frontal que está relacionada com a impulsividade e com o controlo motor. A ansiedade, tão facilmente confundida com a hiperatividade aos olhos de um leigo como eu, é, afinal, um problema no lado oposto do cérebro e as perturbações do espectro do autismo são uma autêntica “árvore de natal”, com um cérebro todo iluminado, todo ativado …  Ou seja, com recurso a este tipo de ferramenta podemos obter um diagnóstico com base no funcionamento do cérebro, mas, melhor que isso, podemos obter um protocolo de intervenção feito à medida daquele cérebro individual.
A minha melhor analogia para explicar como funciona é a “desfragmentação do disco do computador”. Neste processo o computador organiza os dados do disco eliminando clusters repetidos e agrupando-os de forma mais funcional. Neste processo, muitas vezes, são identificadas zonas do disco estragadas e essas são colocadas de parte ficando apenas as zonas funcionais a ser utilizadas. Isto tudo permite que o acesso aos dados seja mais rápido e que o computador consiga funcionar melhor.
O nosso cérebro é igual! É energia pura! Sinapses atrás de sinapses … Muitas vezes o cérebro precisa de uma “desfragmentação”. O tão almejado reset!
Estou convencida que a neuroterapia consegue ajudar todos os indivíduos, em particular os que sofram de perturbações de desenvolvimento, como o autismo!
Obrigada amiga …
Khushi "
VER EM: http://rutecastrosilva.blog.com/2013/01/05/o-cerebro-da-questao/


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