"Depois de um período em que as crianças com problemas de comportamento ou desenvolvimento não entravam no sistema educativo ou saíam dele precocemente, passou-se para uma fase da chamada ‘integração’, na qual as crianças com problemas deveriam ‘fazer um esforço’ para serem mais parecidas e acompanharem as consideradas ‘normais’. O passo seguinte parte para um novo conceito: a inclusão.
Se pensarmos que estas áreas são prioritárias para nos sentirmos bem, para comunicar e nos relacionarmos – desde a família à sociedade –, poderemos entender bem que são deficiências que, facilmente, se podem tornar em handicaps, alterando profundamente a qualidade de vida da criança e dos pais, designadamente o seu futuro.
Mas atenção: estas áreas são muito vagas e podem ser sub ou supravalorizadas, conforme as circunstâncias e as pessoas. Muitas crianças relacionam-se mal com pessoas que não conhecem. Outras estão alheadas a ver televisão e não ouvem os pais chamar – até podem ter uma otite serosa e ouvir mal. Outras desviam o olhar quando sentem que fizeram asneiras e não querem encarar os pais. Ainda podem existir atrasos da fala normais e crianças que comunicam de formas a que muitos adultos não têm acesso. Finalmente, há idades em que os movimentos repetitivos e estereotipados são securizantes. Se se acabou e mudar de escola ou de casa, ou se se sofreu um trauma como uma hospitalização prolongada, podem apenas representar uma defesa. (...)
As crianças com autismo têm uma característica: desinteresse pelas outras pessoas, não respondendo quando se chama pelo seu nome e evitando o contacto «olhos nos olhos».
A falta de compreensão das diversas formas de expressão que acompanham a fala – como a expressão visual, as rugas da cara, o sorriso (ou a zanga) e outros pormenores que nos permitem ver se uma pessoa está a brincar ou a fala a sério, se está alegre ou zangado, ou preocupado – leva a que a criança se feche num mundo dela, com total falta de empatia.
Muitas vezes, essa dissociação entre si próprios e a quem se referem quando falam deles leva a que, em vez de dizer «eu», digam «o Manel», «o Vasco», ou seja, se refiram pelo seu nome em vez de ser na primeira pessoa, como fator revelador de distanciamento até em relação a si próprios.
Para além da atração pelos movimentos repetitivos e rotativos, há uma diminuição da sensibilidade à dor, mas uma sensibilidade exagerada ao som, toque ou outros estímulos sensoriais, o que leva a um desagrado quando os pais (e especialmente outras pessoas) lhes tentam pegar, acariciar ou dar mimo.
Na síndroma de Asperger, por exemplo, as crianças revelam uma grande capacidade de aquisição de conhecimentos, podendo chegar quase à exaustão de um assunto, mas falta-lhes muitas vezes o doseamento emocional que leva a adequar o que se sabe ao que é realmente importante e pertinente
(...) sejam quais forem as causas destas situações, os pais não têm qualquer culpa. Nem quanto à herança genética que transmitiram aos filhos, nem quanto à educação que lhes deram, práticas que tiveram ou eventuais erros e lacunas que (como todos nós) cometeram. É fundamental sublinhar isto vezes sem conta"
Excerto do artigo de Mário Cordeiro escrito para a Revista Pais e filhos de 7 de Fevereiro de 2014. Artigo completo em: http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/mario-cordeiro/6890-diferentes-na-escola
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Cientistas alertam para 'epidemia silenciosa' de perturbações neurológicas
"Dois dos maiores especialistas mundiais na ligação entre o ambiente e a saúde alertam hoje que os químicos industriais a que as crianças estão sujeitas diariamente podem estar a provocar uma "epidemia silenciosa" de perturbações do desenvolvimento.
O alerta surge na revista científica The Lancet Neurology e os autores apelam aos países que mudem os seus procedimentos de avaliação dos riscos dos químicos para proteger as crianças destas toxinas.
Em causa estão químicos como o mercúrio, o chumbo e certos solventes e pesticidas, que estão presentes em objectos tão comuns como a roupa, o mobiliário ou os brinquedos.
"Os cérebros em desenvolvimento são particularmente vulneráveis aos químicos tóxicos no ambiente", diz Philippe Grandjean, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston."
Para saber mais: http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=99340
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Hiperatividade ao Longo da Vida
A Hiperatividade com Défice de atenção é, cada vez mais, uma perturbação de desenvolvimento infantil que preocupa pais e professores. Este facto deve-se não só à controvérsia que a possibilidade gera como também devido aos problemas associadas com as características da PHDA.
Um video muito esclarecedor para quem quer saber um pouco mais sobre PHDA:
https://www.youtube.com/watch?v=2iz6Oi1EXo8&feature=player_embedded
Um video muito esclarecedor para quem quer saber um pouco mais sobre PHDA:
https://www.youtube.com/watch?v=2iz6Oi1EXo8&feature=player_embedded
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
NEUROCIÊNCIAS NA SAÚDE
A neurociência diz respeito ao estudo do sistema nervoso, à compreensão da sua atividade em condições normais e patológicas. A ciência neural permite explicar como as células interagem entre si para produzir um comportamento e de que forma a atividade cerebral é influenciada pelo ambiente. Atualmente é uma ciência interdisciplinar que colabora com outros campos de estudo. De acordo com Flor & Carvalho (2011), o tratado das neurociências no século XX e XXI, vem ressignificando um tratado de fenômenos em âmbito da pesquisa celular, molecular, neurológica, psicológica e psiquiátrica para a construção de uma teoria geral do conhecimento numa perspetiva evolucionista. Os neurocientistas entendem que a melhor abordagem para a compreensão do encéfalo e desenvolvimento de uma nova perspetiva, resulta da interdisciplinariedade, do contributo e combinação das diferentes neurodisciplinas.
A neurociência estuda a estrutura física e o processo de informação no sistema humano e animal. Essa ciência abrange três áreas principais: neurofisiologia, neuroanatomia e neuropsicologia. A neurofisiologia diz respeito ao estudo das funções do sistema nervoso e neuroanatomia refere-se ao estudo da estrutura desse sistema. Já a Neuropsicologia relaciona as funções neurais com as funções psicológicas (Muniz, Silva & Coutinho, 2013).
As neurociências têm sido alvo de interesse pelas mais variadas disciplinas, das ciências médicas às humanas e sociais, tornando o cérebro humano como objeto de investigação por excelência. O trabalho integrado dos diferentes campos e disciplinas, permitem uma maior compreensão dos quadros neuropsicológicos e consequentemente, uma maior eficácia nos tratamentos.
Os avanços na área ocorridos ao nível da investigação em doenças como o AVC, principal causa de morte em Portugal, são visíveis na medida que existe, também, uma maior consciencialização da população em relação à alta incidência desta doença, à necessidade de identificação dos primeiros sinais e sintomas, bem como respetivos fatores de risco.
No caso das doenças neurodegenarativas, como é o caso da doença de Alzheimer, temos vindo a assistir a um trabalho árduo no que diz respeito à investigação de terapêuticas inovadoras assim como ao nível da prevenção da deterioração cognitiva.
A neuropsicologia pode atuar no âmbito da prevenção, através de programas de envelhecimento ativo, assim como no de reabilitação, por meio de uma avaliação neuropsicológica específica e continuada e estruturação de um programa de reabilitação de acordo com as alterações cognitivas, emocionais, comportamentais, sociais do paciente, articuladas com as dificuldades manifestadas pelos cuidadores.
No âmbito da reabilitação cognitiva, esta assenta em três abordagens, conhecidas por restauração – quando as funções cognitivas alteradas são estimuladas e melhoradas pela ação direta sobre elas; compensação – assumindo que a função alterada não pode ser restaurada, tenta-se potenciar a utilização de diferentes mecanismos alternativos ou de capacidades preservadas; e substituição – ensinar diferentes estratégias que minimizem os problemas resultantes das disfunções cognitivas (Prigatano, 1986 cit in Sousa, C. 2009).
Nas doenças neurológicas apresentadas acima, as técnicas de reabilitação, mais especificamente, as de estimulação cognitiva potenciam a plasticidade do sistema nervoso através dos seus exercícios e atividades, possibilitando aos pacientes manterem a sua funcionalidade e qualidade de vida. Devemos salientar que estas técnicas podem ser consideradas como fatores protetores, na medida em que ao serem implementadas previamente, vão retardar a deterioração cognitiva.
De acordo com Silveira, L. (2009), as Neurociências apresentam-se como uma revolução tecnológica ao nosso alcance. A revolução é dirigida para o funcionamento do cérebro, para a criação de máquinas inteligentes e para o desenho de interfaces entre cérebro e máquina.
Neste sentido, podemos abordar o neurofeedback, que de acordo com Soussou, W. & Berger, T. (2008) é uma técnica assente no condicionamento operante da atividade cerebral com feedback sensorial. O Neurofeeback também determinado de eletroencefalograma biofeedback, proporciona que o paciente obtenha informação elétrica do seu cérebro, de modo não invasivo. Esta técnica tem-se configurado como uma grande promessa ao nível da reabilitação cognitiva, ajudando os pacientes a auto-regular os seus estados neurais, a controlarem as alterações epiléticas, a PHDA e mesmo as alterações emocionais e de personalidade.
Conclusões
Os avanços marcados no domínio das neurociências apontam no sentido da neurodiversidade, sendo o cérebro humano objeto de excelência em inúmeros campos de estudo.
No que diz respeito ao estudo de doenças neurológicas como ao Acidente Vascular Cerebral, a neuropsicologia detêm um papel fundamental ao nível da avaliação/reabilitação neuropsicológica, assim como ao nível da prevenção da deterioração cognitiva. Relativamente às doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, mais do que avaliar e reabilitar, o papel da neuropsicologia pode antecipar o declínio das funções, desenvolvendo um trabalho centrado no envelhecimento ativo.
As técnicas de reabilitação cognitiva apontam para a diferenciação entre si e desenvolvimento tecnológico, de forma a potenciar uma reabilitação consistente, espelhada na promoção da autonomia e funcionalidade do paciente.
´
Não obstante todo o trabalho desenvolvido no âmbito da neuropsicologia, será fundamental continuar a investir em validações científicas de programas de reabilitação neuropsicológica, específicas para cada quadro neuropsicológico, permitindo uma abordagem mais fundamentada por parte dos profissionais, um reforço do papel do neuropsicólogo no âmbito clínico e académico, bem como uma evolução mais sustentada dos pacientes com doença neurológica.
Não obstante todo o trabalho desenvolvido no âmbito da neuropsicologia, será fundamental continuar a investir em validações científicas de programas de reabilitação neuropsicológica, específicas para cada quadro neuropsicológico, permitindo uma abordagem mais fundamentada por parte dos profissionais, um reforço do papel do neuropsicólogo no âmbito clínico e académico, bem como uma evolução mais sustentada dos pacientes com doença neurológica.
Tânia Alexandra Couto
Bibliografia
Damaris,
F. & Carvalho, T.P.C. (2011). Neurociências para Educador: coletânea de
subsídios para “alfabetização neurocientífica”. São Paulo: Baraúna.
Muniz, M.,
Silva, L. & Coutinho, A. (2013). Análise de planos de disciplinas
relacionadas às neurociências, neuropsicologia e neuroeducação nos cursos de
pedagogia. Trilhas Pedagógicas, 3 (3), 103-118.
Silveira
LCL. (2004) Neurociências no Brasil – uma revolução tecnológica ao nosso
alcance. Neurociências; 1:42-47.
Sousa, C.
(2009). Neuropsicologia. Neurologia Clínica: compreender as doenças
neurológicas. Edições Universidade Fernando Pessoa (575-595). Porto: Maria
José Sá.
Soussou, W & Berger,T.
(2008). Cognitive and emotional neuroprostheses. In Berger, T., Chapin, J., Gerhardt, G. ,
Macfarland, D., Príncipe, J., Soussou, W, Taylor, D. & Tresco D. (Orgs.). Brain –
Computer Interfaces: An
International Assessment of Research and Development Trends. (pp.109-122).
Los Angeles, CA, USA: Springer Science + Business Media.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
O CÉREBRO E A REGULAÇÃO EMOCIONAL NA VIOLÊNCIA
(...)
A pesquisa publicada neste
número da revista Science, mostrou a existência de
elementos neurológicos comuns em 500 pessoas consideradas com dificuldades em
regular impulsos agressivos apropriadamente. Este estudo avaliou várias regiões
interconectadas do córtex pré-frontal do cérebro, áreas estas relacionadas ao
controle das emoções negativas e o autor da pesquisa, o psicólogo Richard Davidson, acha que essas
conexões recém-encontradas entre violência e tais disfunções cerebrais abrem um
novo caminho para a compreensão e o tratamento da violência e agressão.
Uma das constatações
(confirmação) de Davidson se refere ao inter-relacionamento
entre áreas distintas da região cerebral, tais como o córtex frontal orbital, o
córtex cingulado anterior e a amígdala.O Córtex Frontal Orbital, por exemplo,
tem um papel crucial no refreamento da explosão impulsiva enquanto que o Córtex
Cingulado Anterior ativa
outras regiões para responder ao conflito. A Amígdala, uma pequena mas
importante porção do cérebro, estaria envolvida na produção de uma resposta ao medo e outras emoções negativas.
As pesquisas de Davidson e colegas encontraram atividade
anormal ou falta de atividade nas regiões orbital e anterior em vários grupos
de estudo, enquanto que a Amigdala mostrava uma
atividade normal ou aumentada. Os pesquisadores encontraram disfunções em
regiões cerebrais comuns em estudos com base em imagens cerebrais de 41
assassinos pertencentes a um grupo de estudo que sofria de Distúrbio
da Personalidade Impulsiva Agressiva (na CID.1O, fazendo parte da Personalidade
Borderline) e a outro grupo diagnosticado com Distúrbio
da Personalidade Anti-social.
Também foram reavaliadas
informações sobre dois indivíduos que sofriam de dano precoce em duas
importantes regiões do cérebro, os quais apresentavam histórias de abuso físico
e verbal e explosões intermitentes de raiva.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
ESTUDO COM GÂNGLIOS DA BASE PERMITE NOVAS ABORDAGENS EM DOENÇAS NEUROLÓGICAS
“Num artigo
publicado ontem na revista científica Nature Neuroscience, o neurocientista Rui
Costa, o pós-doutorado Fatuel Tecuapetla, ambos investigadores do Programa de
Neurociências da Fundação Champalimaud, e Xin Jin, investigador no Salk
Institute em San Diego – EUA, revelam que os neurónios dos gânglios da base
sinalizam a ligação dos elementos individuais numa sequência.
(…)
Sabe-se que existe uma área específica no cérebro, os gânglios da base,
responsável por um mecanismo denominado de chunking, através do qual o cérebro
organiza de forma eficiente memórias e acções. No entanto, até agora sabia-se
muito pouco sobre como é que este mecanismo é implementado nestes circuitos
neuronais.
Treinámos ratinhos numa tarefa em que os animais tinham de pressionar uma alavanca, a uma velocidade cada vez mais elevada. De certo modo semelhante a alguém que está a aprender a tocar uma peça de piano com um ritmo progressivamente mais acelerado,” explica Rui Costa. “Enquanto os ratinhos estavam a desempenhar esta tarefa, medimos a atividade neural nos gânglios da base e conseguimos identificar neurónios que processam uma sequência de acções como sendo um comportamento único.
Treinámos ratinhos numa tarefa em que os animais tinham de pressionar uma alavanca, a uma velocidade cada vez mais elevada. De certo modo semelhante a alguém que está a aprender a tocar uma peça de piano com um ritmo progressivamente mais acelerado,” explica Rui Costa. “Enquanto os ratinhos estavam a desempenhar esta tarefa, medimos a atividade neural nos gânglios da base e conseguimos identificar neurónios que processam uma sequência de acções como sendo um comportamento único.
(…)
Os
gânglios da base e estes circuitos são absolutamente cruciais para a execução
de ações. Estes circuitos são afetados em diversas doenças neurológicas,
como o Parkinson ou a Doença de Huntington, nas quais a aprendizagem de
sequências de ações está comprometida", acrescenta Xin Jin.”
O trabalho publicado neste artigo é para Rui Costa “apenas o início desta história”. Os
vinte investigadores do “Neurobiology of Action Lab”, grupo liderado
pelo investigador no Programa de Neurociências da Fundação
Champalimaud, continuarão a estudar como é que os gânglios da base se
organizam a nível
funcional, durante a aprendizagem e execução de sequências de acções.”
funcional, durante a aprendizagem e execução de sequências de acções.”
Vêr mais em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=58272&op=all
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