NEUROCIÊNCIAS NA SAÚDE
A neurociência diz respeito ao estudo do sistema nervoso, à compreensão da sua atividade em condições normais e patológicas. A ciência neural permite explicar como as células interagem entre si para produzir um comportamento e de que forma a atividade cerebral é influenciada pelo ambiente. Atualmente é uma ciência interdisciplinar que colabora com outros campos de estudo. De acordo com Flor & Carvalho (2011), o tratado das neurociências no século XX e XXI, vem ressignificando um tratado de fenômenos em âmbito da pesquisa celular, molecular, neurológica, psicológica e psiquiátrica para a construção de uma teoria geral do conhecimento numa perspetiva evolucionista. Os neurocientistas entendem que a melhor abordagem para a compreensão do encéfalo e desenvolvimento de uma nova perspetiva, resulta da interdisciplinariedade, do contributo e combinação das diferentes neurodisciplinas.
A neurociência estuda a estrutura física e o processo de informação no sistema humano e animal. Essa ciência abrange três áreas principais: neurofisiologia, neuroanatomia e neuropsicologia. A neurofisiologia diz respeito ao estudo das funções do sistema nervoso e neuroanatomia refere-se ao estudo da estrutura desse sistema. Já a Neuropsicologia relaciona as funções neurais com as funções psicológicas (Muniz, Silva & Coutinho, 2013).
As neurociências têm sido alvo de interesse pelas mais variadas disciplinas, das ciências médicas às humanas e sociais, tornando o cérebro humano como objeto de investigação por excelência. O trabalho integrado dos diferentes campos e disciplinas, permitem uma maior compreensão dos quadros neuropsicológicos e consequentemente, uma maior eficácia nos tratamentos.
Os avanços na área ocorridos ao nível da investigação em doenças como o AVC, principal causa de morte em Portugal, são visíveis na medida que existe, também, uma maior consciencialização da população em relação à alta incidência desta doença, à necessidade de identificação dos primeiros sinais e sintomas, bem como respetivos fatores de risco.
No caso das doenças neurodegenarativas, como é o caso da doença de Alzheimer, temos vindo a assistir a um trabalho árduo no que diz respeito à investigação de terapêuticas inovadoras assim como ao nível da prevenção da deterioração cognitiva.
A neuropsicologia pode atuar no âmbito da prevenção, através de programas de envelhecimento ativo, assim como no de reabilitação, por meio de uma avaliação neuropsicológica específica e continuada e estruturação de um programa de reabilitação de acordo com as alterações cognitivas, emocionais, comportamentais, sociais do paciente, articuladas com as dificuldades manifestadas pelos cuidadores.
No âmbito da reabilitação cognitiva, esta assenta em três abordagens, conhecidas por restauração – quando as funções cognitivas alteradas são estimuladas e melhoradas pela ação direta sobre elas; compensação – assumindo que a função alterada não pode ser restaurada, tenta-se potenciar a utilização de diferentes mecanismos alternativos ou de capacidades preservadas; e substituição – ensinar diferentes estratégias que minimizem os problemas resultantes das disfunções cognitivas (Prigatano, 1986 cit in Sousa, C. 2009).
Nas doenças neurológicas apresentadas acima, as técnicas de reabilitação, mais especificamente, as de estimulação cognitiva potenciam a plasticidade do sistema nervoso através dos seus exercícios e atividades, possibilitando aos pacientes manterem a sua funcionalidade e qualidade de vida. Devemos salientar que estas técnicas podem ser consideradas como fatores protetores, na medida em que ao serem implementadas previamente, vão retardar a deterioração cognitiva.
De acordo com Silveira, L. (2009), as Neurociências apresentam-se como uma revolução tecnológica ao nosso alcance. A revolução é dirigida para o funcionamento do cérebro, para a criação de máquinas inteligentes e para o desenho de interfaces entre cérebro e máquina.
Neste sentido, podemos abordar o neurofeedback, que de acordo com Soussou, W. & Berger, T. (2008) é uma técnica assente no condicionamento operante da atividade cerebral com feedback sensorial. O Neurofeeback também determinado de eletroencefalograma biofeedback, proporciona que o paciente obtenha informação elétrica do seu cérebro, de modo não invasivo. Esta técnica tem-se configurado como uma grande promessa ao nível da reabilitação cognitiva, ajudando os pacientes a auto-regular os seus estados neurais, a controlarem as alterações epiléticas, a PHDA e mesmo as alterações emocionais e de personalidade.
Conclusões
Os avanços marcados no domínio das neurociências apontam no sentido da neurodiversidade, sendo o cérebro humano objeto de excelência em inúmeros campos de estudo.
No que diz respeito ao estudo de doenças neurológicas como ao Acidente Vascular Cerebral, a neuropsicologia detêm um papel fundamental ao nível da avaliação/reabilitação neuropsicológica, assim como ao nível da prevenção da deterioração cognitiva. Relativamente às doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, mais do que avaliar e reabilitar, o papel da neuropsicologia pode antecipar o declínio das funções, desenvolvendo um trabalho centrado no envelhecimento ativo.
As técnicas de reabilitação cognitiva apontam para a diferenciação entre si e desenvolvimento tecnológico, de forma a potenciar uma reabilitação consistente, espelhada na promoção da autonomia e funcionalidade do paciente.
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Não obstante todo o trabalho desenvolvido no âmbito da neuropsicologia, será fundamental continuar a investir em validações científicas de programas de reabilitação neuropsicológica, específicas para cada quadro neuropsicológico, permitindo uma abordagem mais fundamentada por parte dos profissionais, um reforço do papel do neuropsicólogo no âmbito clínico e académico, bem como uma evolução mais sustentada dos pacientes com doença neurológica.
Não obstante todo o trabalho desenvolvido no âmbito da neuropsicologia, será fundamental continuar a investir em validações científicas de programas de reabilitação neuropsicológica, específicas para cada quadro neuropsicológico, permitindo uma abordagem mais fundamentada por parte dos profissionais, um reforço do papel do neuropsicólogo no âmbito clínico e académico, bem como uma evolução mais sustentada dos pacientes com doença neurológica.
Tânia Alexandra Couto
Bibliografia
Damaris,
F. & Carvalho, T.P.C. (2011). Neurociências para Educador: coletânea de
subsídios para “alfabetização neurocientífica”. São Paulo: Baraúna.
Muniz, M.,
Silva, L. & Coutinho, A. (2013). Análise de planos de disciplinas
relacionadas às neurociências, neuropsicologia e neuroeducação nos cursos de
pedagogia. Trilhas Pedagógicas, 3 (3), 103-118.
Silveira
LCL. (2004) Neurociências no Brasil – uma revolução tecnológica ao nosso
alcance. Neurociências; 1:42-47.
Sousa, C.
(2009). Neuropsicologia. Neurologia Clínica: compreender as doenças
neurológicas. Edições Universidade Fernando Pessoa (575-595). Porto: Maria
José Sá.
Soussou, W & Berger,T.
(2008). Cognitive and emotional neuroprostheses. In Berger, T., Chapin, J., Gerhardt, G. ,
Macfarland, D., Príncipe, J., Soussou, W, Taylor, D. & Tresco D. (Orgs.). Brain –
Computer Interfaces: An
International Assessment of Research and Development Trends. (pp.109-122).
Los Angeles, CA, USA: Springer Science + Business Media.
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